Estado prepara sistema único para alertar enchentes e seca em tempo real
Nova plataforma vai reunir alerta de enchentes, previsão de seca, chuva e qualidade da água. Informações foram divulgadas durante prestação de contas à Comissão de Meio Ambiente da Assembleia
A Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh) anunciou que pretende unificar, até o fim deste ano, os sistemas de monitoramento de enchentes e seca em uma única plataforma digital para ampliar a prevenção de desastres e melhorar a gestão da água no Espírito Santo.
O avanço foi apresentado na terça-feira (5), durante reunião da Comissão de Proteção ao Meio Ambiente da Assembleia Legislativa, presidida pelo deputado estadual Fabrício Gandini (Pode).
A proposta é, por meio de uma parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), integrar o Sistema de Alerta do Rio Itapemirim (Sari), voltado ao monitoramento de cheias e inundações, ao Hidro.ES, ferramenta usada para previsão de seca.
Segundo o diretor de Recursos Hídricos da Agerh, José Roberto Jorge, a meta é entregar um sistema único capaz de mostrar, em tempo real, o risco de enchentes, o nível dos rios, previsões de chuva e cenários de estiagem.
Hoje, o Sari já opera nas bacias dos rios Itapemirim e Itabapoana. No caso do Rio Itapemirim, o sistema consegue alertar moradores de Cachoeiro de Itapemirim com cerca de 12 horas de antecedência quando há aumento do nível da água vindo da barragem de Francisco Gros, em Alegre. Já na bacia do Itabapoana, o alerta chega com cerca de duas horas de antecedência devido ao tamanho menor da bacia hidrográfica.
A futura plataforma integrada também deverá reunir informações sobre seca, cheia dos rios e alertas de inundação. A expectativa da Agerh é iniciar um projeto piloto nas bacias do Jucu ou do Santa Maria da Vitória antes da expansão para outras regiões do Estado.
Outra novidade apresentada pela Agerh durante a reunião foi o Hidro.Agerh, nova plataforma digital que deverá entrar em funcionamento até o fim deste semestre. O sistema vai concentrar serviços e informações sobre recursos hídricos em um único ambiente virtual, permitindo ao cidadão acompanhar dados de monitoramento hidrológico, qualidade da água, segurança de barragens e previsões de chuva.
A ferramenta também terá uma sala de situação, com mapas, gráficos e indicadores atualizados das bacias hidrográficas do Estado. Segundo a Agerh, o sistema permitirá ao produtor rural, por exemplo, verificar se há previsão de chuva antes de ligar bombas de irrigação.
O Hidro.Agerh ainda promete acelerar a análise de pedidos de outorga para uso da água. De acordo com José Roberto Jorge, o sistema terá capacidade de automatizar cerca de 80% das análises de requerimentos, dando respostas mais rápidas aos usuários e permitindo que a equipe técnica concentre esforços nos processos mais complexos e grandes empreendimentos.
Durante a apresentação do balanço do Programa Nacional de Consolidação do Pacto Nacional pela Gestão das Águas (Progestão), da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), a Agerh destacou avanços na gestão hídrica capixaba.
Segundo o órgão, mais de 11 mil usuários foram atendidos no ano passado com emissão de documentos ligados ao uso da água para irrigação, consumo e outras atividades.
A agência também informou que atualmente possui 28 estações de monitoramento hidrológico em operação no Estado. A previsão é chegar a 32 até o final deste ano e alcançar 43 estações em 2027, com a aquisição de mais 11 equipamentos.
Outro dado apresentado foi o monitoramento da qualidade da água em 100 pontos espalhados pelas principais bacias hidrográficas do Espírito Santo, por meio do programa QualiRios. Os relatórios classificam a água como excelente, boa, ruim ou muito ruim.
Para o presidente da Comissão de Meio Ambiente, deputado Fabrício Gandini (Pode), a prestação de contas mostrou que o Estado vem avançando na estruturação da política de recursos hídricos.

“A Agerh é uma instituição importante para o Estado e está se estruturando para gerar mais informações e melhorar a tomada de decisões sobre inundações e períodos de seca. A comissão tem se debruçado sobre o tema dos recursos hídricos neste ano, discutindo qualidade da água dos rios e do mar”, afirmou Gandini. As deputadas Iriny Lopes (PT) e Camila Valadão (Psol) também participaram da reunião.
créditos Paula Ferreira/Assembleia Legislativa

