Quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Professores de Aracruz entram em estado de greve e podem paralisar atividades

today11 de agosto de 2026
remove_red_eye38

Categoria cobra reajuste salarial, mudanças no plano de carreira e valorização dos profissionais da educação

Professores da rede municipal de ensino de Aracruz estão em estado de greve e podem paralisar as atividades ainda neste mês caso não haja avanço nas negociações com a Prefeitura, administrada pelo prefeito Dr. Coutinho (PSDB).

A decisão sobre uma eventual greve deverá ser tomada pela categoria em uma assembleia prevista para o dia 20 de agosto, na Câmara Municipal de Aracruz. Até o momento, a paralisação não foi aprovada.

Segundo o diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Espírito Santo (Sindiupes), Carlos Duarte, um dos principais motivos de insatisfação é a remuneração dos profissionais.

De acordo com o dirigente sindical, o salário inicial de um professor graduado da rede municipal está atualmente em torno de R$ 3,2 mil. Para ele, o valor representa uma perda significativa em comparação com os salários praticados pelo município no passado.

“Quando eu fiz concurso, eu trabalhava em Vila Velha e Aracruz pagava seis vezes mais. Era ótimo o salário”, afirmou Duarte.

Sindicato critica plano de carreira
Além da questão salarial, o sindicato aponta problemas na estrutura do plano de carreira do magistério municipal.

Segundo Carlos Duarte, a carreira tradicionalmente estabelecia diferentes níveis de formação, contemplando profissionais com formação em magistério, graduação, pós-graduação, mestrado e doutorado. Conforme o dirigente, o município retirou o nível correspondente à formação em magistério e passou a utilizar o professor graduado como referência para o pagamento do piso.

Na avaliação do sindicato, a mudança teria contribuído para o chamado achatamento salarial e para a perda de valorização dos profissionais.

“E o plano de carreira de Aracruz se transformou num monstro, e paga-se pouco”, criticou o dirigente.

Manifestação gera tensão entre professores e Prefeitura
A relação entre a categoria e a administração municipal também ficou mais tensa após uma mobilização organizada pelos professores em defesa da valorização profissional.

De acordo com o Sindiupes, a diretoria do sindicato foi chamada para uma reunião com o prefeito. Diante da possibilidade de negociação, os professores decidiram não realizar inicialmente uma manifestação que havia sido planejada.

Segundo Carlos Duarte, os representantes da categoria compareceram ao local indicado, mas o prefeito não teria participado da reunião.

“Nós não fizemos a manifestação, o carro de som estava colocado. Porém, quando chegamos lá para conversar com o prefeito, o prefeito não estava”, relatou.

O episódio, segundo o dirigente, provocou insatisfação entre os profissionais. “Todo mundo se sentiu altamente traído”, afirmou.

Sindicato também questiona possível terceirização
Outro ponto de preocupação envolve trabalhadores que atuam nas escolas em funções que não integram o magistério, como auxiliares educacionais, cuidadores e cozinheiros.

O sindicato demonstra preocupação com a possibilidade de terceirização de algumas dessas funções, especialmente a de cozinheiros.

Para o Sindiupes, a política de valorização da educação deve contemplar todos os trabalhadores que atuam no ambiente escolar. “Todo trabalhador em escola, do portão para dentro”, reforçou Duarte.

O sindicato argumenta ainda que a terceirização pode manter profissionais com salários mais baixos e, ao mesmo tempo, elevar os custos para o poder público. A entidade também afirma temer impactos na experiência e na qualificação das equipes que trabalham nas escolas.

Decisão sobre greve será tomada no dia 20
A categoria permanece em estado de greve enquanto aguarda o andamento das negociações com a Prefeitura.

A assembleia marcada para 20 de agosto, na Câmara Municipal, deverá definir se os professores irão ou não deflagrar uma greve.

A mobilização ocorre cerca de dez anos após uma greve realizada em 2016, quando aproximadamente 400 professores participaram de manifestações pelas ruas de Aracruz. Segundo Carlos Duarte, aquela paralisação foi posteriormente considerada ilegal pela Justiça.

Para o dirigente sindical, o cenário atual é de forte insatisfação entre os profissionais. “O momento lá em Aracruz está muito crítico, está muito tenso”, avaliou.

Até a decisão da assembleia, a categoria segue em estado de greve e as negociações com a administração municipal permanecem no centro das discussões.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*