Estado anuncia centro de referência para diabéticos e obesos

today18 de maio de 2026
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Novo instituto, que será implantado no CRE Metropolitano, em Cariacica, terá uma estrutura inédita, unindo especialistas, exames e tratamento integral. O anúncio foi feito em resposta às cobranças da Frente presidida por Gandini por mais especialistas e oferta de sensor de glicose e bombas de insulina para os pacientes

Uma antiga reivindicação de pacientes, familiares e especialistas em diabetes começou a sair do papel no Espírito Santo. Durante reunião da Frente Parlamentar de Prevenção, Diagnóstico e Tratamento do Diabetes, presidida pelo deputado estadual Fabrício Gandini (Pode), na quarta-feira (13), a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) anunciou a criação do Instituto Capixaba de Atenção ao Diabetes e à Obesidade (Icado), um centro de referência inédito voltado ao atendimento especializado de pessoas com diabetes e obesidade.

A iniciativa foi apresentada como resposta direta às cobranças feitas por Gandini e por representantes da Associação de Diabéticos do Espírito Santo e Amigos (Adies), que há meses vêm alertando para a necessidade de ampliar o acesso a especialistas e estruturar uma rede de cuidado contínuo para pacientes, especialmente crianças e adolescentes com diabetes tipo 1 (DM1).

O novo instituto será implantado, ainda sem data definida, no Centro Regional de Especialidades (CRE) Metropolitano, em Cariacica. A proposta é que o espaço concentre atendimento clínico especializado, exames, acompanhamento multidisciplinar e suporte integrado a pacientes que hoje dependem apenas do fornecimento de medicamentos ou insumos.

Segundo a chefe da Gerência de Políticas e Organização das Redes de Atenção à Saúde da Sesa, Franciele da Costa, o projeto-piloto está em fase final de estruturação, tendo em vista uma demanda crescente no Estado: o aumento de internações hospitalares, infartos e AVCs.

“Estamos sensíveis à necessidade de estruturar um equipamento, que seja um centro de referência, através de um atendimento clínico especializado voltado para as pessoas com diabetes”, afirmou.

A escolha do CRE Metropolitano, em Jardim América, se deve à estrutura já existente no local, que reúne serviços especializados como cardiologia e oftalmologia — áreas estratégicas para o tratamento de complicações associadas ao diabetes. O novo instituto pretende fechar esse ciclo com endocrinologistas, nutricionistas, psicólogos e outros profissionais essenciais para o acompanhamento integral dos pacientes.

CONQUISTA
Para Gandini, que descobriu o diabetes tipo 2 aos 37 anos, o anúncio representa uma conquista concreta da frente parlamentar, que tem reunido pacientes, médicos e gestores públicos para pressionar por avanços nas políticas de prevenção e tratamento.

“O sensor de glicose é um educador. Eu sou diabético tipo 2 e sei o quanto essa tecnologia muda a vida da pessoa. Precisamos separar quem tem diabetes tipo 1 nas políticas públicas, porque não priorizar esse público gera custos muito maiores para o Estado e sofrimento para as famílias”, destacou o parlamentar.

A principal diferença está na raiz do problema: no tipo 1, o pâncreas para de produzir insulina devido a uma falha autoimune. No tipo 2, o corpo ainda produz insulina, mas desenvolve uma resistência a ela ou não a produz em quantidade suficiente.

O debate ganhou ainda mais força com os números apresentados pela diretora da Adies, Lorena Bucher. Segundo ela, atualmente cerca de 36 mil pessoas vivem com diabetes tipo 1 no Espírito Santo, mas apenas 1,4% tem acesso ao sensor de glicose e somente 0,7% utiliza bomba de insulina fornecida pelo poder público.

Enquanto o sensor monitora o açúcar no sangue continuamente, sem picadas constantes no dedo, com alertas enviados em tempo real para o celular, a bomba de insulina substitui as múltiplas injeções diárias, administrando microdoses de insulina no organismo, simulando o funcionamento natural do pâncreas e melhorando o controle glicêmico.

Lorena também chamou atenção para um dado alarmante: nos últimos três anos, cinco crianças e adolescentes com até 16 anos morreram precocemente no Estado em decorrência de complicações relacionadas à doença. “Vários pais e mães entraram na Justiça para garantir esses insumos. É um problema sério. Falta até treinamento”, alertou.

A gerente estadual de Assistência Farmacêutica da Sesa, Graziele Massariol, reconheceu a necessidade de um centro especializado e afirmou que a estrutura surge para ampliar o cuidado além da simples distribuição de insumos.

“Não adianta fornecer o insumo se a gente não tem um médico especialista para acompanhar aquele paciente. Não adianta trabalhar só o fornecimento de um medicamento ou insumo se eu não estou trabalhando a educação e a saúde, o cuidado”, disse.

Graziele informou que hoje 581 pacientes são atendidos com sensores de glicose no Estado, por meio de cinco Farmácias Cidadãs, e outros 223 fazem uso de bombas de insulina. A prioridade é para crianças e gestantes, com tempo médio de resposta de 13 dias para os pedidos padronizados.

Durante a reunião, relatos emocionantes reforçaram a urgência do tema. A moradora da Serra Angelaine Cruz Pimentel contou que convive com a doença há 30 anos. Já a adolescente Eduarda Tomaz de Sousa Barros, de 16 anos, emocionou os participantes ao relatar o impacto da condição no dia a dia.

“É frustrante, desesperador saber que, se eu não cuidar da minha doença, eu posso perder a minha perna, minha visão. Afeta muito meu psicológico”, relatou a estudante, diagnosticada aos 2 anos.

Ao final do encontro, Gandini avaliou que o anúncio do Icado é um passo histórico, mas afirmou que continuará cobrando a efetiva implantação da estrutura e ampliação do acesso à tecnologia para pacientes com diabetes tipo 1.

“O Espírito Santo dá um passo importante, mas precisamos garantir que esse centro saia do papel rapidamente. Estamos falando de salvar vidas e evitar que crianças e jovens tenham o futuro comprometido por falta de assistência adequada”, concluiu o deputado.

créditos Gleberson Nascimento/Assessoria Parlamentar

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