Leucemia: por que a doação de sangue é tão importante para o tratamento
Hematologista explica quem pode doar e destaca o papel das transfusões para garantir a recuperação e a qualidade de vida de muitos pacientes
Nos corredores dos hospitais existe um recurso que nenhum avanço tecnológico conseguiu substituir: o sangue humano. Essencial para atendimentos de emergência, cirurgias, tratamentos oncológicos e diversas outras situações clínicas, ele depende exclusivamente da solidariedade de quem decide doar.
Para muitos pacientes, especialmente os que enfrentam a leucemia, a disponibilidade de bolsas de sangue não é apenas uma questão de assistência médica, mas uma condição indispensável para seguir em tratamento.
Durante o junho vermelho, campanha nacional de incentivo à doação de sangue, e o junho laranja, dedicado à conscientização sobre a leucemia e a anemia, especialistas reforçam a necessidade de ampliar o número de doadores. A mobilização chama atenção para uma realidade muitas vezes invisível: enquanto os estoques dos hemocentros precisam ser constantemente renovados, milhares de pacientes dependem diariamente das transfusões para manter suas chances de recuperação e qualidade de vida.
“O sangue, de fato, é insubstituível. Não existe nenhum componente que a gente consiga administrar, como um soro ou qualquer outra substância que substitua o tecido sanguíneo. Por isso, a doação é fundamental para pacientes com anemia, sangramentos, vítimas de trauma, pessoas em tratamento de câncer e diversas outras condições que podem exigir transfusão. E a única fonte para isso é a doação de sangue”, explica o hematologista Douglas Stocco.
Leucemia: quando a transfusão faz parte do tratamento
Entre os pacientes que mais dependem dos bancos de sangue estão aqueles diagnosticados com leucemias agudas. Durante o tratamento, especialmente nas fases iniciais da quimioterapia, a produção de células sanguíneas pode ficar severamente comprometida, tornando as transfusões uma necessidade frequente.
“Nas leucemias agudas, a transfusão de sangue faz parte do processo terapêutico. Existem pacientes que, em determinados momentos do tratamento, precisam receber hemácias ou plaquetas praticamente todos os dias. Em outros casos, a necessidade é menor, mas a transfusão continua sendo um recurso essencial”, destaca Stocco.
Para esses pacientes, os hemocomponentes passam por processos especiais de preparo, como filtragem e, em alguns casos, irradiação, medidas que aumentam a segurança da transfusão para pessoas imunossuprimidas.
“Esses procedimentos reduzem a quantidade de leucócitos presentes nos hemocomponentes e ajudam a diminuir reações transfusionais, tornando o sangue mais seguro para quem está com a imunidade comprometida”, acrescenta o especialista.
Além disso, o médico reforça que a sinceridade durante a entrevista clínica é indispensável.
“É importantíssimo que o doador responda às perguntas com total honestidade. Isso garante a segurança tanto de quem está doando quanto de quem vai receber o sangue”, afirma.
Mitos que ainda afastam doadores
Apesar da importância da doação, muitos mitos ainda geram insegurança e acabam reduzindo o número de voluntários. Um dos mais comuns é a ideia de que doar sangue afina ou engrossa o sangue.
“Isso é um mito. A doação não afina nem engrossa o sangue. Em poucas semanas, o organismo consegue repor naturalmente as células que foram doadas”, esclarece Stocco.
Outra crença equivocada é que a doação provoca ganho ou perda de peso. “Doar sangue não emagrece nem engorda. O que ela faz é gerar um impacto positivo para a sociedade e uma sensação de bem-estar para quem ajuda. Também não é verdade que a pessoa só pode doar uma vez por ano. Homens podem doar até quatro vezes ao ano, respeitando um intervalo mínimo de dois meses entre as doações. Já as mulheres podem doar até três vezes por ano, com intervalo mínimo de três meses”, esclarece o médico.
Quem fez tatuagem, micropigmentação, maquiagem definitiva, piercing ou microagulhamento também não está impedido de doar permanentemente. “Nesses casos, é necessário aguardar um período que varia de seis a doze meses, conforme os protocolos do serviço de hemoterapia. Depois disso, a pessoa pode voltar a ser candidata à doação”, explica.
Um gesto que salva vidas: saiba quem pode doar
Em períodos de baixa nos estoques, como costuma ocorrer durante o inverno e em épocas de férias, cada bolsa coletada se torna ainda mais valiosa. Afinal, uma única doação pode beneficiar mais de um paciente por meio da separação dos hemocomponentes.
A doação de sangue é um procedimento rápido e seguro. Para doar, é necessário:
Ter entre 16 e 69 anos (menores de idade precisam de autorização dos responsáveis);
Ter realizado a primeira doação antes dos 60 anos;
Pesar no mínimo 50 kg;
Estar em boas condições de saúde;
Ter dormido pelo menos seis horas nas últimas 24 horas;
Estar alimentado, não se deve doar em jejum;
Não consumir bebida alcoólica nas horas que antecedem a doação;
Apresentar documento oficial com foto.

