Operação desarticula grupo suspeito de golpes milionários com falsas doações

today30 de junho de 2026
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A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) deflagrou, na última sexta-feira (26), a Operação “Falsa Esperança”, que resultou na prisão de quatro suspeitos investigados por integrar uma organização criminosa especializada em estelionato eletrônico. O grupo é acusado de criar um falso site para arrecadar doações destinadas às vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul e, posteriormente, utilizar a mesma estrutura para aplicar golpes por meio da oferta de empréstimos falsos.

A operação foi coordenada pela Delegacia de Polícia de Piúma, com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da PCES e da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG). Os mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão foram cumpridos simultaneamente nos municípios de Vila Velha (ES) e Muriaé (MG).

Os detalhes da investigação foram apresentados nesta segunda-feira (29), durante coletiva de imprensa na Chefatura da Polícia Civil, em Vitória.

Investigação começou após denúncia do Rio Grande do Sul
Segundo o delegado Rodrigo de Mello Toscano, responsável pela Delegacia de Polícia de Piúma, a investigação teve início após informações encaminhadas pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul, que identificou a existência de um site fraudulento criado para captar doações destinadas às vítimas das enchentes que atingiram o estado.

De acordo com as investigações, os criminosos exploravam a solidariedade da população em meio à tragédia para arrecadar recursos de forma ilegal.

Após o site ser retirado do ar, a organização criminosa passou a utilizá-lo para divulgar falsas ofertas de empréstimos. As vítimas eram direcionadas para contatos telefônicos administrados pelos suspeitos, onde forneciam dados pessoais, como CPF e documentos, utilizados na aplicação de novos golpes.

Esquema tinha atuação nacional
As investigações apontam que o grupo fazia vítimas em pelo menos cinco estados brasileiros. Embora o valor total do prejuízo ainda esteja sendo apurado, análises financeiras revelaram movimentações consideradas milionárias.

Segundo a Polícia Civil, o apontado como líder da organização movimentou, por meio de uma empresa, mais de R$ 18 milhões entre 2024 e o período atual, realizando transações com mais de 40 pessoas.

Suspeitos tentaram fugir após decretação das prisões
Após a Justiça decretar as prisões preventivas, os investigados deixaram Piúma na tentativa de dificultar a ação policial. O líder seguiu para Vila Velha, enquanto os demais foram para Muriaé, em Minas Gerais.

Com apoio da inteligência da Polícia Civil mineira e da Core, as equipes conseguiram localizar todos os alvos e cumprir os mandados de prisão.

Veículo de luxo e eletrônicos foram apreendidos
Durante as buscas, os policiais apreenderam aparelhos eletrônicos, telefones celulares, substâncias anabolizantes e um veículo utilitário esportivo de luxo, adquirido aproximadamente um mês antes da operação e avaliado entre R$ 190 mil e R$ 200 mil.

As investigações também apontaram que os suspeitos mantinham um padrão de vida incompatível com a renda declarada. Segundo a Polícia Civil, eles afirmaram estar desempregados, mas viviam em imóveis de alto padrão, equipados com móveis e eletrônicos de elevado valor, além de possuírem veículo de luxo.

Grupo já era investigado por crimes semelhantes
Ainda conforme o delegado Rodrigo Toscano, os investigados já respondem a uma ação penal por crimes patrimoniais praticados pela internet em Piúma. Na investigação anterior, também foi identificada a participação de familiares dos principais suspeitos.

O delegado destacou que a integração entre as forças de segurança foi essencial para o sucesso da operação, especialmente o apoio da Polícia Civil de Minas Gerais e da Core durante o cumprimento das prisões.

Polícia faz alerta à população
A Polícia Civil orienta que a população redobre os cuidados antes de realizar doações pela internet ou fornecer dados pessoais em plataformas digitais.

Entre as recomendações estão verificar a autenticidade dos sites, conferir a chave PIX utilizada nas campanhas, confirmar a destinação dos recursos e buscar referências antes de efetuar qualquer transferência financeira.

As investigações continuam para identificar novas vítimas, rastrear o patrimônio obtido com os crimes e apurar a possível participação de outros envolvidos no esquema criminoso.

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