Sexta-feira, 10 de julho de 2026

Morre Lambisgoia, líder dos pescadores capixabas

today10 de julho de 2026
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O presidente do Sindicato dos Pescadores e Marisqueiros do Espírito Santo (Sindpesmes), João Carlos Gomes, conhecido como Lambisgoia, morreu na última quinta-feira (9), em decorrência de um câncer. Há dez anos à frente da entidade, ele se tornou uma das principais lideranças na defesa dos pescadores, marisqueiras e ribeirinhos atingidos pela tragédia ambiental provocada pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG).

A última agenda pública de Lambisgoia ocorreu no dia 18 de junho, na Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), durante reunião da Comissão Interestadual Parlamentar de Estudos para o Desenvolvimento Sustentável da Bacia do Rio Doce (Cipe Rio Doce). Na ocasião, ele participou das discussões sobre a repactuação do acordo de reparação do desastre e reforçou a necessidade de investimentos na saúde das comunidades atingidas.

Segundo a deputada estadual Janete de Sá (PSB), vice-presidente da Cipe Rio Doce, foi por meio de um exame solicitado durante essa mobilização que Lambisgoia descobriu a doença.

Defesa da saúde dos pescadores
Ao lamentar a morte do líder sindical, Janete de Sá destacou sua dedicação à causa dos pescadores até os últimos dias de vida.

“Perdemos não apenas um grande líder, mas um guerreiro incansável que dedicou seus últimos dias para dar voz aos invisíveis. O maior tributo que podemos prestar agora é não deixar que a sua voz se cale”, afirmou.

A parlamentar também voltou a cobrar mais transparência na reparação dos danos causados pelo desastre e criticou a falta de assistência médica às comunidades tradicionais.

Segundo ela, passados quase dez anos da tragédia, pescadores e ribeirinhos ainda aguardam exames completos que permitam identificar possíveis impactos da contaminação em sua saúde.

Dez anos após a tragédia
O rompimento da barragem de Fundão, em novembro de 2015, lançou cerca de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério na Bacia do Rio Doce. A lama chegou ao litoral capixaba dias depois, atingindo principalmente a região da foz do rio, em Linhares.

Mesmo após uma década, pescadores afirmam enfrentar dificuldades para obter reconhecimento oficial como atingidos, acessar programas de indenização e receber atendimento especializado na área da saúde.

Durante a reunião da Cipe Rio Doce, o presidente da comissão, deputado estadual mineiro Leleco Pimentel (PT), afirmou que os pescadores seguem excluídos do processo de reparação.

“Eles conhecem o rio e o pescado como ninguém, mas continuam sem o reconhecimento e o apoio necessário. É um problema ambiental, social e econômico que ainda precisa ser enfrentado”, disse.

Recursos para a saúde
Durante o encontro, também foi discutida a destinação de recursos do Programa Especial de Saúde do Rio Doce (PES Rio Doce). O Ministério da Saúde autorizou o repasse de R$ 101,6 milhões para 11 municípios capixabas atingidos pelo desastre.

Os recursos serão destinados aos municípios de Anchieta, Aracruz, Baixo Guandu, Colatina, Conceição da Barra, Fundão, Linhares, Marilândia, São Mateus, Serra e Sooretama. Ao todo, o programa prevê investimentos de R$ 243 milhões em 49 municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo.

Última mensagem
Em uma de suas últimas manifestações públicas, Lambisgoia voltou a defender que a prioridade da reparação fosse a saúde das comunidades atingidas.

“A nossa principal pauta é a saúde dos pescadores. Já se passaram dez anos da tragédia e ainda não existe um mecanismo para acompanhar como está a saúde de quem vive do rio. Sempre falaram em indenização, mas pouco se falou em cuidar das pessoas”, afirmou.

Ele também lembrou que a restrição à atividade pesqueira continua afetando a renda de centenas de famílias no litoral capixaba.

A morte de Lambisgoia representa uma perda para o movimento sindical da pesca artesanal no Espírito Santo. Sua atuação ficou marcada pela luta em defesa dos direitos dos pescadores, pelo reconhecimento das comunidades tradicionais atingidas pela tragédia do Rio Doce e pela cobrança de políticas públicas voltadas à saúde e à reparação dos danos ambientais.

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