Polícia Civil indicia 13 pessoas por ataques que deixaram três mortos na Serra

A Polícia Civil do Espírito Santo concluiu o inquérito que investigou os dois ataques a distribuidoras de bebidas ocorridos na noite de 22 de outubro de 2025, nos bairros Maringá e Das Laranjeiras, na Serra. As ações criminosas deixaram três pessoas mortas, todas sem qualquer envolvimento com o crime organizado.
Ao final das investigações, 13 pessoas foram indiciadas, entre elas duas advogadas e 11 homens, apontados como integrantes de uma organização criminosa estruturada. Todos já respondem à ação penal na Justiça.
O trabalho foi conduzido pela Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, sob a coordenação do delegado Rodrigo Sandro Mori, que classificou o caso como o mais complexo de sua carreira.
Organização criminosa atuava de dentro e de fora dos presídios
De acordo com a Polícia Civil, os ataques foram motivados pela disputa entre facções criminosas. A investigação aponta que integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP) pretendiam atingir rivais ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC), mas as vítimas acabaram sendo pessoas inocentes.
Segundo o inquérito, os atiradores foram Brendo Magalhães Silva, conhecido como Perna, e João Pedro Vago de Souza, o Tiroteio. Eles teriam contado com o apoio de Tiago Laurindo, conhecido como Neguim KMK, responsável por dirigir o veículo utilizado na ação.
As investigações também identificaram como supostos mandantes Wesley Magno de Uchoa Braz, conhecido como Neném ou 2N, e Pedro Corttes Falcão, o Pedrinho, apontados como líderes do tráfico na região.
Advogadas são apontadas como elo entre presos e integrantes da facção
Entre os presos estão as advogadas Laís Santos de Paula e Monique Lopes Guerra.
Segundo a Polícia Civil, Laís atuava como intermediária da comunicação entre integrantes da organização criminosa presos e os membros que permaneciam em liberdade. Em uma interceptação telefônica, ela afirma exercer essa função desde o período da pandemia.
Já Monique Lopes Guerra também foi alvo de interceptações autorizadas pela Justiça e, conforme a investigação, exercia papel semelhante, sendo utilizada como canal de comunicação entre os integrantes da facção.
Vítimas não tinham ligação com o crime
A primeira vítima foi Luiz Gustavo Pratti Corvello, de 34 anos, morto por volta das 19h30 em uma distribuidora localizada na Rua Perimetral, no bairro Maringá.
Segundo o delegado Rodrigo Mori, Luiz Gustavo trabalhava no local e teria sido confundido com o verdadeiro alvo do atentado.
Horas depois, um segundo ataque ocorreu em uma distribuidora localizada na Rua São Paulo, no bairro Das Laranjeiras.
Na ação, morreram Mislene Ferreira dos Santos, de 40 anos, e Vagner da Costa Jardim, de 36 anos.
Mislene havia acabado de sair do trabalho e foi até o estabelecimento comprar uma cerveja quando foi atingida por quatro disparos. Ela deixou sete filhos, sendo quatro menores de idade.
Já Vagner estava no local para acompanhar o resultado de uma partida de futebol. Baleado no abdômen, chegou a ser socorrido, mas morreu dois dias depois no hospital.
Investigação detalhou estrutura da organização
As investigações apontam que o planejamento dos ataques contou com a participação de diversos integrantes da organização criminosa, responsáveis por funções como transmissão de ordens, monitoramento dos alvos, logística e apoio operacional.
Para o delegado Rodrigo Sandro Mori, o trabalho investigativo representa um marco na atuação da DHPP da Serra.
“Foi o inquérito mais importante da minha carreira em 14 anos de Polícia Civil, tanto pela complexidade da investigação quanto pela repercussão e pela comoção provocada pelos crimes”, destacou.
Segundo a Polícia Civil, o grupo criminoso mantinha uma estrutura organizada, com integrantes atuando tanto em liberdade quanto de dentro do sistema prisional, utilizando intermediários para transmitir ordens e coordenar ações ligadas ao tráfico de drogas e a execuções de rivais.
FOTO TRIBUNA NORTE LESTE


