ES registra mais de 17 mil processos de violência contra a mulher em 2026

Número corresponde aos processos recebidos pela Justiça entre janeiro e julho; especialistas alertam que muitas situações ainda não chegam ao Judiciário
A Justiça do Espírito Santo recebeu 17.318 novos processos relacionados à violência doméstica contra a mulher entre janeiro e julho de 2026. O número representa uma média de 81,69 ações por dia, de acordo com levantamento baseado no Painel de Violência contra a Mulher do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Os dados mostram que a violência contra a mulher continua representando uma demanda significativa para o sistema de Justiça capixaba.
Em 2025, o Espírito Santo registrou 26.940 novos processos relacionados à violência doméstica. O número foi 9,58% maior do que o registrado em 2024, quando foram contabilizadas 24.584 ações.
Na comparação com 2020, quando foram abertas 16.018 ações no estado, o crescimento acumulado chegou a 68,19%.
Número de processos também cresce no país
O aumento das demandas relacionadas à violência doméstica também aparece no cenário nacional.
Entre janeiro e julho de 2026, a Justiça brasileira recebeu 742.279 novos processos, o equivalente a uma média de aproximadamente 3.501 ações por dia.
Em 2020, foram registradas 599.472 novas ações em todo o país. Já em 2025, o número chegou a 1.133.556 processos, representando um crescimento de 89,09% no período.
Mais denúncias podem explicar parte do aumento
Para o advogado criminalista Fábio Tavolassi, o crescimento dos registros pode estar relacionado, entre outros fatores, à maior divulgação dos direitos das vítimas e dos canais disponíveis para buscar ajuda.
Segundo ele, mais mulheres podem estar reconhecendo situações de violência e procurando os serviços de proteção.
“O aumento pode indicar que mais mulheres estão reconhecendo a violência, procurando ajuda e denunciando os agressores. Hoje há maior divulgação da Lei Maria da Penha, das medidas protetivas e dos canais de atendimento. Com isso, situações que antes permaneciam escondidas começam a chegar à polícia e à Justiça”, explica.
O especialista ressalta, porém, que os números do CNJ não representam necessariamente a quantidade total de casos de violência doméstica existentes.
Isso acontece porque as estatísticas consideram os episódios que efetivamente chegaram ao Judiciário e deram origem a processos.
Muitas vítimas ainda não denunciam
Medo, ameaças e dependência financeira ou emocional podem dificultar a busca por ajuda. Dessa forma, uma parcela dos casos permanece fora das estatísticas oficiais.
“Os dados do CNJ mostram apenas as situações que chegaram ao Judiciário. Muitos episódios não são denunciados e, por isso, ficam fora das estatísticas processuais”, afirma Tavolassi.
Outro fator apontado pelo advogado é a dificuldade que algumas vítimas encontram para reconhecer determinadas situações como violência, principalmente quando não há agressão física.
“Por isso, o número real de vítimas pode ser muito maior”, ressalta.
Violência pode começar antes da agressão física
A violência doméstica nem sempre começa com uma agressão física. Segundo o especialista, alguns comportamentos podem ser sinais de uma situação abusiva e precisam ser observados.
“A violência doméstica não começa somente com uma agressão física. Ameaças, humilhações, perseguição, controle do dinheiro, isolamento de amigos e familiares, invasão do celular, destruição de objetos e coerção sexual também precisam ser considerados”, alerta.
Esses comportamentos podem se tornar mais frequentes e graves com o passar do tempo.
A proteção prevista pela Lei Maria da Penha também pode alcançar situações envolvendo ex-companheiros, inclusive quando o casal não reside mais na mesma casa.
Onde buscar ajuda
Em caso de risco imediato, a orientação é procurar um local seguro e acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.
O Ligue 180 também oferece atendimento 24 horas e orientações sobre os serviços da rede de proteção à mulher.
O advogado recomenda ainda que, quando for seguro fazer isso, a vítima preserve materiais que possam contribuir para a investigação, como mensagens, áudios, fotografias, relatórios médicos e contatos de testemunhas.
“Esses materiais podem ajudar na investigação. No entanto, a mulher não deve adiar o pedido de ajuda por achar que ainda não possui provas suficientes”, orienta Tavolassi.
FONTE NOTÍCIA CAPIXABA


