Tragédia relacionada ao vício em games: psicanalista alerta para os perigos

today24 de março de 2022
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E mais um caso triste de tragédia relacionada à dependência por games vêm à tona. Um jovem de 13 anos matou a mãe e o irmão de 7 anos, após uma discussão por suas notas baixas e sua fixação pelos jogos on line. A tragédia aconteceu em João Pessoa, na Paraíba, mas poderia ter sido em qualquer local do mundo, pois a recorrência de situações como essa, mostra que a coisa é bem séria. Tanto que, desde 01/01/2022 o CID 11 – Classificação Internacional de Doenças, traz oficialmente o fato como um transtorno de cunho mental e emocional. Denominado como Gaming Disorder ou “transtorno de games” é um tipo de distúrbio de descontrole dos impulsos com um forte componente de ansiedade generalizada.

Ou seja, um padrão de comportamento no qual a necessidade de jogar prevalece frente a outros interesses vitais na vida da pessoa acometida pelo transtorno.

Um assunto que preocupa pais e responsáveis e também gera dúvidas na hora de distinguir quando um simples lazer se transforma em um problema que deve ser levado à sério.

A doença foi catalogada levando-se em consideração alguns critérios primordiais para que seja configurada como um distúrbio mental.

Por exemplo: a intensidade, frequência e duração do tempo de utilização dos games é um fator determinante para fechar um diagnóstico. O indivíduo se sente incapaz de controlar ou de colocar um limite no tempo em que realiza a atividade.

Além disso, o jogo passa a ser sua prioridade em detrimento dos interesses vitais, como: comer, dormir, descansar, higiêne, socializar, trabalho, estudo, dentre outras rotinas cotidianas. Ou seja, o hábito altera o estado neurológico da pessoa, provocando o domínio do pensamento e intensificando o vício e a dependência pelos games.

As causas podem ser diversas e subjetivas, pois pode estar ligada a uma fuga da realidade, carência afetiva, necessidade de se desafiar a todo instante, procrastinação, baixa autoestima, dificuldades de autocontrole, impulsividade, deficiência comunicativa, déficit do manejo emocional, timidez em excesso, depressão, ansiedade, prejuízos cognitivos, dificuldade no gerenciamento das emoções, entre outros.

E, assim como todo tipo de vício (drogas, alcoolismo, tabagismos, sexo, compras…) o fator recompensa cerebral, provoca motivações para permanecer no vício.

Enfim, vidas perdidas e muita tristeza em casos como da tragédia da Paraíba. Mas temos uma boa notícia: existe cura. Mas a eficácia de um tratamento será evidenciada de forma gradual. É preciso buscar ajuda de um profissional de saúde mental, promover o autocuidado e com cautela, monitorar o contato com os jogos.

Sem esquecer que a organização da vida cotidiana com rotinas determinadas por graus de responsabilidade, também tende a provocar benefícios em favor do emocional do ser humano.

É importante se cuidar como um todo, se alimentando adequadamente com qualidade, ter momentos de descanso e sono regulado, além de realizar atividades sociais que possibilitem a interação com outras pessoas, bem como praticar algum tipo de atividade física.

O mais importante é que a exposição aos games não ultrapasse o total de três horas por dia, no intuito de controlar o nível do comprometimento psíquico do indivíduo, para que não ocorram recaídas.

Tomando todos estes cuidados para preservar sua saúde mental, corpo e mente encontrarão o equilíbrio desejado.

Dra. Andréa Ladislau/Psicanalista

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