Mulheres com lipedema necessitam de uma rotina de treino diferenciada

today27 de maio de 2026
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Frequentemente confundido com obesidade ou retenção de líquidos, o lipedema pode comprometer a mobilidade, autoestima e bem-estar. Profissional explica como treinos adaptados têm promovido mudanças significativas no corpo e na qualidade de vida de mulheres com a condição

Dor constante nas pernas, sensação de peso, inchaço persistente e dificuldade em ver resultados, mesmo com dieta e atividade física. Para milhões de mulheres, esses sintomas fazem parte de uma rotina silenciosa marcada pelo lipedema, condição caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura, principalmente em pernas e braços, e que ainda costuma ser confundida com obesidade, retenção de líquidos ou falta de disciplina com o próprio corpo.

Estima-se que o lipedema afete entre 10% e 18% das mulheres no mundo. No Brasil, cerca de 13 milhões de mulheres convivem com a doença, muitas vezes sem diagnóstico ou sem compreender por que determinados sintomas persistem apesar dos esforços para emagrecer.

A chave para o sucesso: treinos híbridos e personalizados
Embora o lipedema não tenha cura, especialistas reforçam que o exercício físico adequado pode trazer mudanças importantes na qualidade de vida e no controle dos sintomas. Revisões de estudos recentes apontam que mulheres com a condição tendem a apresentar menor capacidade de caminhada, menor força muscular e limitações funcionais, mas podem apresentar evolução significativa quando inseridas em programas estruturados de exercício.

Para isso, a profissional de educação física Thayane Banhos, especialista em saúde, morfologia e fisiologia feminina, explica que o ideal é investir nos chamados treinos híbridos, que combinam exercícios aeróbicos e de força de forma integrada e personalizada.

“Não é apenas cardio ou apenas musculação. O melhor resultado acontece quando conseguimos integrar essas modalidades respeitando o tipo de corpo, as limitações físicas, os ciclos hormonais e a individualidade de cada mulher. O treino precisa ser personalizado e adaptado, fazendo uso não só de equipamentos como também do próprio peso corporal”, explica.

Outro ponto importante, segundo ela, é entender que a evolução acontece de forma gradual, e que nem sempre o excesso de intensidade é o melhor caminho.

“O que evitamos, principalmente no início, são exercícios de alto impacto. Eles não são proibidos, mas costumam ser evitáveis nesse primeiro momento. Existe uma progressão. À medida que a mulher melhora o condicionamento e se sente mais confortável, o treino também evolui”, ressalta Thay.

Sinal de alerta vai além do sobrepeso
Ao contrário do que muita gente ainda acredita, o lipedema não está necessariamente associado ao excesso de peso. A ideia de que apenas mulheres com sobrepeso ou obesidade desenvolvem a condição é um dos mitos mais comuns e também um dos fatores que podem atrasar o diagnóstico.

Segundo Thayane Banhos, hoje é cada vez mais comum encontrar mulheres com peso considerado equilibrado e até praticantes de atividade física convivendo com a condição.

“Existe um mito muito forte de que lipedema só acomete mulheres acima do peso, e isso não é verdade. Hoje vemos mulheres magras ou com composição corporal equilibrada que sofrem com dores, inchaço, sensibilidade, hematomas frequentes e acúmulo desproporcional de gordura em determinadas regiões do corpo. O peso, sozinho, não define a condição”, explica.

A profissional de educação física destaca que, justamente por esse desconhecimento, muitas mulheres passam anos acreditando que os sintomas são apenas retenção de líquido, genética ou dificuldade para emagrecer.

“É muito comum ouvirmos relatos de mulheres que mudaram a alimentação, treinaram por anos e continuavam frustradas porque as pernas e braços não mudavam ou as dores permaneciam. Muitas vezes, existe uma condição por trás disso que precisa ser olhada com mais atenção. Porque, enquanto o sobrepeso ou a obesidade causam um aumento sistêmico e generalizado de gordura e costumam responder de forma positiva a dietas e exercícios, a gordura do lipedema é altamente resistente a essas mudanças”, afirma.

Apesar dos benefícios do exercício físico, Thayane reforça que o tratamento do lipedema exige um olhar amplo e individualizado, com acompanhamento multidisciplinar envolvendo também profissionais como endocrinologista, nutricionista, vascular e fisioterapeuta.

Do diagnóstico à transformação
Foi durante uma consulta com a endocrinologista que a empresária Flávia Thomazi recebeu o diagnóstico de lipedema. Até então, apesar de conviver com dores nas pernas, inchaço e celulite acentuada, conhecia pouco sobre a condição.

A mudança começou quando iniciou os treinos personalizados com Thay Banhos. Segundo Flávia, os primeiros sinais de melhora apareceram já nos três primeiros meses, especialmente quando os exercícios passaram a caminhar junto com hábitos alimentares equilibrados.

Ela destaca que o acompanhamento individualizado fez diferença não apenas nos resultados físicos, mas também na relação com a atividade física. “O treino focado e personalizado, atendendo às necessidades individuais, traz um resultado mais rápido e eficaz. A Thay me ajudou a entender a progressão de cada exercício e a ter consciência corporal”, afirma.

Hoje, Flávia mantém uma rotina de treinos cinco vezes por semana, além de caminhadas e alimentação equilibrada. Mas admite que manter constância nem sempre foi fácil. “O treino para mim sempre foi o mais difícil. Eu não conseguia dar continuidade, desanimava. Depois que comecei a treinar com a Thay, passei a gostar mais dos treinos. Ver os resultados faz com que você fique cada vez mais motivada”, diz.

Para Thayane Banhos, uma das principais transformações está justamente em mostrar que a mulher com lipedema não precisa viver limitada pela condição.

“Muitas chegam acreditando que não conseguem treinar, que o corpo não responde ou que precisam sofrer para ter resultado. Mas quando existe um treino respeitoso, estruturado e adaptado à realidade daquela mulher, a mudança acontece. Não estamos falando apenas de estética, mas de funcionalidade, autoestima, menos dor e mais qualidade de vida”, conclui.

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