Eleitores de candidatos derrotados podem ser decisivos no 2º turno

Pesquisa Quaest mostra maior intenção de voto em Flávio Bolsonaro entre eleitores de Renan Santos, Ronaldo Caiado e Augusto Cury
Com a definição de Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) como os dois candidatos que disputarão o segundo turno da eleição presidencial, os votos obtidos pelos demais concorrentes no primeiro turno passam a ganhar importância no novo cenário eleitoral.
Uma pesquisa Quaest, realizada antes da votação de 4 de outubro, simulou como os eleitores de Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante) se posicionariam em um eventual segundo turno entre Flávio e Lula.
Flávio aparece à frente nos três grupos
Entre os eleitores de Renan Santos, 60% afirmaram que escolheriam Flávio Bolsonaro, enquanto 11% disseram que votariam em Lula. Outros 27% declararam voto em branco, nulo ou que não pretendiam votar, e 2% estavam indecisos.
No eleitorado de Ronaldo Caiado, Flávio registrou 43%, contra 19% de Lula. Nesse grupo, 36% disseram que votariam em branco, anulariam o voto ou não compareceriam às urnas, enquanto 2% estavam indecisos.
Já entre os eleitores de Augusto Cury, Flávio apareceu com 34%, contra 23% de Lula. A parcela que indicou branco, nulo ou ausência foi de 41%, enquanto 2% permaneciam indecisos.
| Eleitorado do 1º turno | Flávio Bolsonaro | Lula |
|---|---|---|
| Renan Santos | 60% | 11% |
| Ronaldo Caiado | 43% | 19% |
| Augusto Cury | 34% | 23% |
Parte dos eleitore ainda pode mudar de posição
A mesma pesquisa também mostrou diferenças no grau de definição desses eleitores. Entre os que haviam escolhido Renan Santos, 66% consideravam a decisão definitiva, enquanto 34% admitiam possibilidade de mudança.
No eleitorado de Caiado, 75% diziam estar decididos e 25% poderiam mudar. Entre os eleitores de Cury, 68% consideravam a escolha definitiva e 29% admitiam mudança.
Os números indicam, portanto, que uma parcela dos eleitores dos candidatos que não avançaram ao segundo turno ainda poderia alterar sua decisão ou optar por não escolher nenhum dos dois concorrentes.
Disputa pelo eleitorado da chamada terceira via
No primeiro turno, Flávio Bolsonaro terminou na primeira colocação, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula ficou com 45,16%. A diferença foi de 1,87 ponto percentual.
Os candidatos que não avançaram para a segunda etapa somaram milhões de votos. Segundo levantamento divulgado após a votação, os candidatos da chamada terceira via — entre eles Cury, Renan e Caiado — reuniram cerca de 9,3 milhões de votos, que agora fazem parte do universo disputado pelas duas campanhas.
Desde a confirmação do segundo turno, movimentos de apoio também começaram a ser anunciados. Ronaldo Caiado declarou apoio a Flávio Bolsonaro, embora o PSD tenha mantido posição de neutralidade nacional e liberado seus filiados.
No caso de Renan Santos, porém, a movimentação posterior ao primeiro turno mostra que os dados da pesquisa não devem ser interpretados como uma transferência automática de votos. O ex-candidato afirmou que não apoiará Flávio e deixou em aberto sua posição sobre o segundo turno.
Pesquisa foi realizada antes do primeiro turno
A pesquisa Quaest ouviu 3.702 eleitores com 16 anos ou mais, entre os dias 2 e 3 de outubro, em todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-02197/2026.
Como as entrevistas foram realizadas antes do primeiro turno, os números representam a posição dos eleitores naquele momento e não necessariamente indicam como esses grupos votarão no segundo turno.
A votação que definirá o próximo presidente da República está marcada para 25 de outubro.


